|
|
Publicado: Quarta-feira, Agosto 29, 2007
Carta Aberta
Cara Ana, http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15685523412908274375
dias atrás tive o dissabor de ter minha participação em uma de suas comunidades impedida por motivos que até entendo, mas que na minha muito humilde opinião, são discutíveis.
O que faz o meu perfil ser classificado por você como 'fake'? Meu nome, minhas fotos, a forma como debocho de mim mesmo?
Bem, a dinâmica de minha existência e de minhas intenções transcende a tudo isso. E se você pensar, verá que a própria existência do Orkut levanta essa questão que é mesmo filosófica. Do quê afinal somos feitos? Do que tentamos ou declaramos 'ser' e 'ter' ou daquelas nossas atitudes diárias, cotidianas, essenciais (no sentido de âmago)?
Tenho meu 'profile' desde 2004, quando todo esse controvertido sistema começou a funcionar e desde o início sempre usei este meu mesmo perfil pra ironizar os verdadeiros objetivos do Orkut e o nosso sistema social como um todo, que ao meu ver, é desinteligente e cruel. E mesmo 'protegido' por uma identidade tida como falsa, sempre me portei dentro dos melhores princípios de amizade e consideração pelo próximo, mesmo quando algumas pessoas não mereciam tanto cuidado no tratar. Mas que sou eu pra julgar, não é mesmo?
Gostaria que você fosse mais clara em relação ao seu critério de 'perfil falso' (Bogus). Uma informação falsa caracteriza um bogus? Então, minha cara, dois terços dos integrantes de suas comunidades não deveriam ali estar pelo seu critério.
Não minto, meu perfil é abertamente debochador. Mas assim sou EU, por mais que o NOME que esteja ali seja verdadeiro ou seja apenas um 'nickname'.
EU serei EU com qualquer perfil ou qualquer informação nele inserida, verdadeira ou não.
Entendo a sua tarefa de mediadora, Freud já explicava. Mas não sei quem você pensa preservar: se a si mesma ou se as outras pessoas que fazem parte de suas comunidades. Se tenta SE preservar por conta de alguma injustiça que lhe cometeram no passado, lamento, mas mesmo assim acho que você não deveria se fechar 'num mundo perfeito'. Se tenta preservar outras pessoas, bem, acho que o orkut ainda não elegeu um Corpo Policial (pelo contrário, ele mesmo se rendeu aos perfis tidos como falsos) e outra coisa, especificamente no meu caso, qualquer pessoa em seu juízo perfeito ao se deparar com meu perfil, percebe que se trata de algo não muito sério. Acho que elas mesmas saberão me impor limites e não precisam de sua opinião à esse respeito. Desculpe se esta última frase soou rude, mas de forma nenhuma foi essa a intenção.
A falsidade de intenções, minha cara, é que é o grande mal a ser banido de nossos espíritos. Não acho que o bom humor de alguém que já deixou de levar-se tão à sério seja algo nocivo a outrem mais do que a si mesmo. Os filósofos clássicos nunca erram e acho que contribuo com você quando te aconselho a não levar-se tão à sério também.
Minha intenção ao entrar na comunidade era nada mais do que prestigiar algo do lugar onde vivo, mesmo porque não vejo como vantagem ou honra o fato de fazer parte dela ou de qualquer outra. Se quisesse contatar qualquer pessoa que dela me interessasse, bastaria acessá-la diretamente, sem a intermediação de joguinhos, piadas e enquetes. Sou uma pessoa que fala por si, tanto aqui como no 'olho no olho'.
Também não são as comunidades das quais faço parte, coisas que me fazem autoafirmar-me ou que dão respaldo à qualquer de minhas opiniões. Ainda não sou tão experiente quanto você, mas há muito deixei a adolescência.
E veja como o mundo é pequeno, não é? Que se dirá de nossa iluminada Campinas? Algumas pessoas de sua comunidade são amigas minhas... e é quase uma ironia não termos nunca nos encontrado de fato, se é que isso não tenha ocorrido.
Para não me extender muito mais só gostaria de convidá-la à reflexão de que censura e discriminação são alguns dos pilares de mentalidades autoritárias e pequenas, e que também são elementos de caráter que não valem à pena cultivar.
Mesmo tendo tanto a questionar, ainda me sinto disposto a prestigiar a comunidade. Caso minhas questões sejam indigeríveis aos seus critérios, só me resta lamentar e abrir concorrência com uma proposta mais democrática e inclusiva.
Cópia desta carta aberta será divulgada no meu insignificante perfil 'falso', se não se importa. Quase ninguém o visita, não haverão problemas.
Sem ressentimentos,
Paulo
pauloasantana@hotmail.com
por:
Paulo Santana às 9:45 PM
Comente:
Publicado: Quinta-feira, Agosto 09, 2007
'Downsizing'
Você está naquela sala exclusiva do culhonésimo sétimo andar da sede da grande multinacional daquela indústria vital, junto com os maiores figurões da empresa e do ramo. Estão todos lá, os 43 postos acima de você na estrutura hierárquica.
É a primeira vez que você comparece a uma reunião com o pessoal da matriz e por isso você está meio nervoso e atrapalha-se com o notebook, o blackberry e as apresentações em PowerPoint que seu pessoal lhe entregou às pressas no pen-drive.
Esta será uma reunião difícil. Gráficos descendentes, corte no pessoal de chão-de-fábrica e a pressão dos sindicatos. NASDAQ, Dow Jones e os mercados asiáticos nervosos. Depois do Onze de Setembro nada mais foi como antes. As pessoas berram, correm assustadas. Seus 'superiores' só berram. E cospem. E babam.
Mas você fez a Business School, um MBA na Kellogg University... não deve fazer feio. Não fará!
O clima está pesado. Você pode cortar a tensão que flui no ar com uma colher de apanhar sorvete. Você toma o seu lugar na grande e lustrosa mesa de reuniões e toma um gole daquele café amargo que lhe parece até doce comparado à bile que parece subir-lhe ao céu-da-boca.
Enquanto engole a bile e o café, regurgita e engole de novo, observa aqueles homens e mulheres ao seu redor. Pessoas azedas, tristes, mas principalmente duras. Pessoas cujo coração é um penedo e a palavra, um arpão.
Como derreter aqueles icebergs emocionais? Como trazer-lhes a própria humanidade e falar-lhes de conceitos como felicidade, alegria, misericórdia? Bem, não te ensinaram isso na universidade. Todas as suas habilidades estão no uso das palavras certas, dos sinais aritméticos certos nas colunas certas, das planilhas certas confeccionadas nos softwares certos. Sua única arma é uma Hewlett-Packard 12C.
Mas nesta manhã você e sua linda e jovem mulher fizeram amor como há muito não faziam. Queriam ter um filho, estava decidido. Você veio ouvindo Jean-Luc Ponty no seu Ford Taurus 2002 verde-metálico quase totalmente pago, batucando no volante enquanto pensava nos tópicos de sua apresentação e em comprar um apartamento maior, financiado pela Caixa.
Por estas e por outras, sentia que tinha de tomar uma atitude para debelar o clima causticante daquela sala de horrores. Você tinha todos aqueles pensamentos bacanas e ideiais sobre espalhar a fraternidade e hoje estava especialmente afetado pela doçura de seus projetos, dos lábios de sua mulher, de seu arfar suave, de seu cheiro de rosa.
Eis que abruptamente você se coloca em pé, pede a atenção das pessoas mais próximas à você e pergunta em tom de pilhéria- 'E a questão das Malvinas? São Malvinas ou Falklands?'- como quem pergunta se as ilhas são Inglesas ou Argentinas.
Dois dias depois você está reformulando seu currículo.
Sete meses depois ainda procura entender o que saiu errado naquela fatídica reunião.
NUNCA MAIS pisara num escritório da British Petroleum.
Sua vida nunca mais seria a mesma.
Em todos esses anos nesta indústria vital, esta NÃO é a primeira vez em que isso me acontece...
por:
Paulo Santana às 12:28 PM
Comente:
Publicado: Sábado, Maio 14, 2005
Queime, baby, queime!
Previ que o mundo se acabaria com vocês, pecadores, fritando no óleo da pastelaria do japonês, enquanto eu ria, tomava uma Coca no balcão e jogava farelos aos cães. Mas isso não deu certo.
Talvez a verdade seja a que o mundo se acaba dia-a-dia e isso é uma tortura pra mim que já cansei das bundas e peitos siliconados à venda na TV, no jornal, na CARAS, na lojinha da esquina, na faculdade, na puta-que-o-pariu... Cuspo pela janela e nem quero saber se é você que está passando lá em baixo: você nem deveria existir se tudo saísse de acordo com o que sonhei.
Sou um santo e me cansei da burrice e da vulgaridade; da inteligência e da cultura; da pseudo-felicidade dos desdentados, fracassados, perdedores, bundas-moles, chefes fodões, parceiros no crime e fascínoras em geral. Que mundo é esse em que não há mais charme em morrer tragicamente num carro roubado e nem tampouco alguma percepção do sentido da vida quando Jesus Cristo e Robin Hood se fundem em um só nas pessoas dos garotos espertos que assaltam um banco com suas armas potentes, reluzentes, ameaçadoras, viris e poéticas por definição?
Luto pela implosão das suas crenças mais básicas e serei eu mesmo o galante canhoneiro que atirará sem compaixão na direção de suas instituições corrompidas e podres onde todas as virtudes humanas são esquecidas em nome de um bem que não se vê. Serei o charmoso guerreiro que não hesitará em invadir, saquear e destruir as torres infames de seu modus-vivendi perdulário e prostituído.
Quero contrariar sua lógica cega e me divertir com isso. Tirar partido de suas limitações de caráter e te fazer enxergar que o mundo é mesmo injusto e nada tem mesmo que dar certo. Talvez afogando-se numa piscina de merda meio-mole você perceba que a felicidade é uma opção e não uma finalidade ou uma mercadoria que se possa comprar com um cartão de crédito. Quero ser teu carrasco, o cara que vai pisar nos teus dedos quando você estiver tentando se segurar pra não cair do caralhésimo andar do edifício em chamas onde você vendeu sua alma. Microsoft? HSBC? Volkswagen?
Não quero te resgatar, nem te salvar. Quero que você se esfole e eu sou preguiçoso demais para ser benevolente ou justo. Ora, e não me venha com esses seus conceitos que lhe foram introjetados. Eu simplesmente não quero nem saber. Encho uma pá com outros iguais à você e despejo no moedor de carne. Hora de alimentar os cães!
Você não pode me dizer o que é felicidade, amor, compaixão... você não pode me dizer nada, nada, NADA! Sabe por quê? Porque você também não se importa com essas coisas e nunca se questionou a respeito do verdadeiro significado delas. Não se importa comigo, com o seu vizinho, com a sua linda esposa trepando com o carinha da academia, do trabalho ou até mesmo com aquele seu 'melhor' amigo.
Você está cagando e andando pra tudo que estiver do lado de lá do seu umbigo. Você só quer encher o rabo com grana e perder seu tempo com as putas. Ora eu poderia chutar a sua bunda e cuspir na sua cara, mas você nem esboçaria reação se eu hierarquicamente estivesse acima de você lá no escritório... você pensaria ao menos três vezes antes de apertar o gatilho. Eu não pensaria, apenas apertaria.
Você está morto e nem percebeu. Cara... e é tão ridículo te ver por aí andando de um lado pro outro ostentando Armanis e falando besteiras como se fossem verdades universais. Você não consegue nem ser uma vergonha... Você é um absoluto NADA!
Não há saída. Admita, é o fim. Você não pode me vencer e não pode vencer a escuridão, pois estamos do mesmo lado de tudo o que há de ruim e se você olhar a sua volta, perceberá que só o que é ruim é palpável. Todo o resto é estúpida filosofia e discos de Britney Spears ou Celine Dion.
Se você não atirar em mim, eu atiro em você.
por:
Paulo Santana às 11:22 AM
Comente:
Publicado: Quarta-feira, Agosto 11, 2004
Dias de sol lá fora (tão ruins aqui dentro!)
Ela havia me partido o coração menos de 48 antes, de forma que precisava desesperadamente ocupar aquele vazio que se criara em meu coração.
Alguns procuram encher a cara com álcool, outros se drogam, outros se matam. Como precisava, assim como eles, de alguma coisa que me anulasse e me roubasse toda a sensibilidade que já não aguentava mais portar, decidi ir TRABALHAR naquele domingo. Um dia, talvez lhes explique porque auto-destruição e trabalho na minha concepção, são as mesmíssimas coisas.
Ocorreu que no dia anterior, aquela doce criatura à quem eu decidira dedicar o que restava de minha vida, confrontara-me sem querer com a mais sólida noção de SENTIDO DA VIDA que um homem poderia vislumbrar. Isso me fez entrar em órbita e quando percebi, atravessava ruas sem prestar atenção ao trânsito, esbarrava nas pessoas e coisas que encontrava pelo caminho... será que estive realmente naqueles lugares?
Durante toda a minha vida eu alimentara a infantil idéia de que o que realmente importa nessa vida são os pensamentos elevados e que cada ser humano vinha ao mundo com uma missão, fosse a sua contribuição para a construção de um mundo melhor, fosse a evolução de sua própria espiritualidade, intelectualidade & coisa e tal.
Enquanto dirigia o velho carro que minha irmã havia me emprestado para atravessar a cidade e suas Marginais, observava todas aquelas luzes e coisas maravilhosas que o homem construíra, mas que em nada contribuiam para explicar aquele vazio existencial que agora me dominara. Será que este mesmo vazio haveria impelido o homem a criar tais estruturas e dispositivos? Tudo aquilo era sub-produto de um NADA espiritual? Conclui estar defronte a uma poderosa e significativa questão.
Tudo agora fazia REAL sentido: todas aquelas pessoas, naqueles outros carros, nas calçadas, nas janelas dos edifícios, bem ou mal vestidas, alimentadas ou não, feias e bonitas, sorridentes e tristes e mesmo assim egoístas, castradas e insensíveis estavam certas de alguma forma, aceitando toda a patifaria sem muito questionarem-se à respeito. Então, desejei ser como eles e atribuir à minha vida aquele sentido prático e viver de uma forma que combinasse melhor com aquele mundo que contemplava dali de dentro daquele sólido e sórdido Uno 92 caindo aos pedaços, como eu.
Então aquele era o 'Mundo Material', negação e assunção da existência de um 'outro lado'? Talvez o tal 'Mundo da Razão' de que falava Tennessee Williams? Bem, de qualquer forma, nunca entendi esses autores 'entendidos'... A questão é que vim a perceber que os 32 anos anteriores de minha vida haviam sido trilhados nos caminhos de enormes contradições. Lembrei-me de todas as vezes que me afundara no trabalho, tentando me auto-destruir interiormente só para não ter de sentir as dores de alguma provação espiritual. Eu não percebia que isso era a minha rendição ao mundo material. Não percebia que procedendo desta maneira, assumia intimamente a minha derrota espiritual, me entregava aos luxos materiais fazendo o mesmo jogo dos verdadeiros preguiçosos, os mesmo que pisaram na Lua, mas que nunca olharam para dentro de si mesmos.
Como é que nunca havia percebido isso antes? Carros novos, a casa na praia, o celular, o computador, os cartões de crédito, aqueles 'outdoors', e todas aquelas bundas e pintos chacoalhando na tevê... tudo apenas serve como objetivo 'possível', como 'sentido alternativo' para a vida e eu havia perdido tanto tempo tentando entender a natureza humana, procurando o AMOR. Aqueles seres estavam ali, felizes, debochando de mim porque haviam encontrado o SENTIDO de suas vidas, enquanto eu me debatia por aí tentando encontrar algo que ainda não se provou existir. Eis aqui o grande otário!
Muito bem, não sei como cheguei ao escritório mas fui logo tentando me ocupar de alguma daquelas tarefas banais que me trariam os carros novos, a casa na praia e todas as bundas e pintos que por ventura quisesse, se fosse o caso. O diabo é que a danada da mulher não me saia da cabeça. Minhas roupas ainda tinham o seu cheiro e meu corpo ainda sentia o seu calor. A lembrança de sua voz, seu modo de andar e de sorrir, ocupava um espaço muito grande de minha mente. Mas um litro e meio de chá depois e eu já estava entretido com o novo sentido de minha vida. Produzi o melhor material dos últimos três ou quatro meses. Totalmente exaurido por aquela explosão criativa, me pus a ficar olhando aquela 'coisa' nos monitores. Adorei aquilo! O produto de uma nova postura, a primeira coisa trazida ao mundo por este novo 'eu'. Um novo 'eu' arruinado, mas ainda fértil, não-castrado.
Não sei exatamente por quanto tempo aquilo durou, mas me lembro de ter adormecido e sonhado com ela. Nesse sonho, ela me dizia que eu não precisava daquilo, que não precisava de sapatos novos e nem de um sentido elevado para continuar à viver. Dizia que deveria me preocupar apenas em VIVER da melhor forma que conseguisse e que o resto, a VIDA se encarregaria de trazer. Acordei sobressaltado com o telefone tocando. Um de meus clientes. O herdeiro de minhas mágoas materializadas naquele trabalho.
- Paulo?
- Iiiique! -balbuciei entediado.
- Trabalhando hoje? Tá doente?
- É, não tô legal não... Sei lá...
Queria saber à quantas andava o tal material que prometera entregar-lhe qualquer dia desses (nunca estipulo prazos e também não cumpro os que me impõem!)
- Quando é que você apresenta aquele novo material sobre o qual conversamos? Os 'homens' querem botar o produto na rua logo!
Respondi sem muita empolgação, aliás, nenhuma:
- Estou no MEU prazo... te mandei o cronograma por e-mail... tenho andado meio 'bloqueado'. Tô numa daquelas fases...
- Bom, precisamos conversar sobre prazos e esses seus bloqueios. Os homens não vão falar sobre grana com você enquanto isso não estiver na rua.
- Hummm! Sei. Estou me desdobrando. -Respondi como se dissesse 'enfiem o dinheiro no rabo'.
Pra encerrar logo o assunto, me saí com essa:
- Bem, você sabe: talvez seja por isso que vim trabalhar no domingo.
Também não deixou barato.
- Ok, apresente um trabalho consistente e não vá bancar a estrela com essa história de voltar pra Campinas. Eles vão falar com você!
Desliguei e dei um chute no cesto de lixo. Será que esses babacas pensam que são meus donos? Peguei novamente o telefone e disquei. Código da operadora, código de área dezenove, nove, sete, quatro...
- Oiii!
- Pode falar? Quero dizer... quer falar?
- Sim.
Novamente me saí uma figura patética tentando falar-lhe de minha recente descoberta. Talvez por piedade ou sei lá o quê, primeiro me ouviu e depois me aconselhou à não me preocupar com problemas que não eram meus. Disse-me que alguns velhos sentimentos permaneciam. Concordei e ela, tão docemente quanto entrou em minha vida, despediu-se, virando as costas, desligando o telefone, saindo de minha vida.
Olhei novamente então para os monitores e senti uma enorme repulsa daquilo que exibiam. Só conseguia enxergar naquelas imagens, as piores partes de mim, em todas as cores possíveis. Só via vergonha, medo, angústia e o rosto de um homem morto.
Peguei o 'mouse', cliquei em 'fechar'. O programa perguntou se queria guardar aquela sujeira. Respondi NÃO. Desliguei o computador, apanhei minhas coisas.
No dia seguinte, de uma forma ou de outra, minha vida haveria de ter ALGUM SENTIDO.
por:
Paulo Santana às 1:50 PM
Comente:
Publicado: Sábado, Março 20, 2004
...e naquela tarde sentei no banco de Dreyfus e me pus a contemplar o horizonte. A tempestade se aproximava...
por:
Paulo Santana às 2:28 AM
Comente:
|